segunda-feira, 21 de julho de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Já só faltam 17 dias!!!!
Ou melhor, AINDA FALTAM 17 DIAS.
Já estou de língua de fora, ofegante, a ver a "meta" lá ao fundo...
... Mas parece que corro cada vez mais de vagar.
Estou cansada, estou exausta, estou - como diz a minha mãe - extenuada.
Quero chinelar, quero sopas e descanso, quero não me preocupar com o cabelo, com a roupa, com os sapatos, quero sol, sol, sol, quero dormir até me doer o corpo, quero desligar o ca**** do telébóbél, quero deixar o meu filho em auto-gestão, quero peixe grelhado todos os dias, sem ter que o grelhar eu, quero conquilhas, quero um dia inteiro sem ouvir: "Ó Drª!", quero não ver televisão, quero jogar cartas, quero ouvir musica e pôr em dia os meus podcast's preferidos, quero ficar na praia até ter frio, quero não ter horas para nadinha, quero levantar-me sem ser com o despertador a tocar, quero estar sozinha, quero não pensar nas consultas de oncologia do meu pai, nem as operações sucessivas ao joelho da minha mãe, por mais que os ame.
Porque eu só quero umas humildes Férias. E este ano, vou de férias 3 semanas!
Mas AINDA FALTAM 17 DIAS.
Já estou de língua de fora, ofegante, a ver a "meta" lá ao fundo...
... Mas parece que corro cada vez mais de vagar.
Estou cansada, estou exausta, estou - como diz a minha mãe - extenuada.
Quero chinelar, quero sopas e descanso, quero não me preocupar com o cabelo, com a roupa, com os sapatos, quero sol, sol, sol, quero dormir até me doer o corpo, quero desligar o ca**** do telébóbél, quero deixar o meu filho em auto-gestão, quero peixe grelhado todos os dias, sem ter que o grelhar eu, quero conquilhas, quero um dia inteiro sem ouvir: "Ó Drª!", quero não ver televisão, quero jogar cartas, quero ouvir musica e pôr em dia os meus podcast's preferidos, quero ficar na praia até ter frio, quero não ter horas para nadinha, quero levantar-me sem ser com o despertador a tocar, quero estar sozinha, quero não pensar nas consultas de oncologia do meu pai, nem as operações sucessivas ao joelho da minha mãe, por mais que os ame.
Porque eu só quero umas humildes Férias. E este ano, vou de férias 3 semanas!
Mas AINDA FALTAM 17 DIAS.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
E a melhor da semana é...
...esta coisa que recebi por email e que esteve prestes a ir directa para o lixo...
Ainda bem que não foi, assim vem para aqui:
Sábado, como de costume, levantei-me cedo, coloquei os meus agasalhos, vesti-me silenciosamente, tomei o meu café e até passeei com o cão. Em seguida, fui até a garagem e engatei o barco de pesca no meu 4x4. De repente, começou a chover torrencialmente. Havia até neve misturada com a chuva, ventos a mais de 80 km/h. Liguei o rádio e ouvi que o tempo seria chuvoso durante todo aquele dia. Voltei imediatamente para casa, silenciosamente tirei minha roupa e deslizei rapidamente para debaixo dos cobertores.Afaguei as costas da minha mulher suavemente e sussurrei: "O tempo lá fora está terrível".
Ela, ainda meio adormecida, respondeu: "Acreditas que o idiota do meu marido foi pescar com este tempo?"
Ela, ainda meio adormecida, respondeu: "Acreditas que o idiota do meu marido foi pescar com este tempo?"
terça-feira, 15 de julho de 2008
Há dias assim...

Enquanto passeava os olhos por "aí", encontro isto:
"(...) Sentir menor desejo em corpo e espírito que se ama, perceber que o outro beija distraído antes de virar as costas e adormecer pode provocar mossa bem maior do que o envelhecimento das entranhas."
Júlio Machado Vaz, Estes Difíceis Amores
Júlio Machado Vaz, Estes Difíceis Amores
É isso mesmo Júlio, é isso mesmo!
segunda-feira, 14 de julho de 2008
PLENITUDE: A janela para o mundo
Sou cliente da D-Mail, porque tem os artigos mais inesperados do comércio Português.
Ora, esta semana, recebi um mail deles.
OK, tudo normal, até ao momento que vejo uma dita promoção:
Ora, esta semana, recebi um mail deles.
OK, tudo normal, até ao momento que vejo uma dita promoção:
"Para compras nas lojas ou no site D-Mail, assim como para encomendas por fax, telefone ou correio, no valor mínimo de € 30,00 (excluindo despesas de cobrança e envio). Oferta de uma assinatura por cliente, da revista "Plenitude"."
Pode ser ingnorância minha, mas nunca ouvi falar da tal revista e fui vêr.
Dizem eles que a PLENITUDE é:
"uma revista de actualidades e informação general - política nacional e internacional, sociedade, espectáculos, novas tendências - rigorosa, plural e veiculando uma grande diversidade de pontos de vista. A sua janela sobre o mundo, todos os meses"
A capa que me apresentam é esta:
Hãããããã?!?!?!?!
Sim senhor, vai ser a minha "janela sobre o mundo, todos os meses".
(Suspiro de desespero)
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Apetece-me gritar: LAMEEEEENTO!!

Há uns dias, na viajem de regresso a casa, depois do trabalho, em conversa com uma grande amiga, falávamos do que nos aconteceu com o passar dos anos e a repercussão que isso teve nas nossas vidas.
Eu contava-lhe que me incomoda, cada vez mais, a atitude reprovadora, que certas pessoas têm para comigo, agora que tenho 33 anos e sou “sôtora”.
Confidenciava-lhe que me incomoda deveras o facto de ser um dado adquirido que, a partir de uma certa idade e atingidos que foram alguns níveis de responsabilidade ao nível profissional, pessoal e familiar, temos necessariamente de deixar de sermos NÓS.
Note-se que eu não quero voltar a ter 18 anos, nem 20, nem 25 sequer…
Nem quero vestir t-shirts curtinhas, nem fazer tatoos e piercings, nem passar o dia nas esplanadas, sem fazer nenhum.
Mas também não quero ser manietada, constrangida, despojada daquilo que sou e fui e que pautou, desde sempre a minha individualidade e o meu temperamento.
Sempre fui intempestiva, extrovertida, de gargalhada fácil, com um espírito um tanto desenfreado, (sem ser libertino!), mas era por essas e outras características que as pessoas gostavam de mim, ou não.
Nunca fiz questão de agradar a gregos e troianos.
Quem gosta, tudo bem, quem não gosta, deixa na beirinha do prato.
Não faço favores, não faço grandes fretes e tenho pouca paciência para a convivência vazia e circunstancial.
No entanto, tenho vindo a notar que certas pessoas me dizem, amiúde, coisas do género:
“Deixa-te lá de circos, já tens idade para ter juizinho”, “Comporta-te”, “pareces uma miúda”, “vais ao concerto? Isso é para putos!”, “vais onde? Bem, se algum cliente teu te vê nessas figuras…” “não digas asneiras, és uma senhora”…
E se calhar, pior ainda, são os olhares reprovadores, com um acenar negativo da cabeça, quando estamos em amena cavaqueira entre amigos.
Mas eu só digo, meus amigos:
Levo muitíssimo a sério a minha actividade profissional;
Sou cumpridora, até ao limite do razoável, de tudo o que é responsabilidade conectada com o que faço;
Trabalho 10 a 12 horas por dia a maior parte dos dias, fins-de-semana incluídos, sem contar com o tempo que perco com os 100 Km diários, que faço só para chegar ao escritório;
Fico exasperada com a desordem e falta de profissionalismo;
Quando é para trabalhar, ninguém me vê os dentes, sou de poucas falas e de sorriso difícil. Até porque os clientes foram feitos para nos pagar os serviços prestados e não para serem nossos amigalhaços.
Sou até muito decente, como cozinheira e “dona de casa”;
E sou mãe implacável, quando as circunstâncias o exigem,
Mas… principalmente:
Adoro rir-me à gargalhada;
Gosto de conversas relaxadas, informais, mas sumarentas;
Gosto de ouvir musica aos berros, enquanto conduzo:
Gosto de ouvir conversas na rádio e quando possível, entrar nelas;
Gosto de cantar desafinadamente, as músicas do MP3 do meu filho;
Gosto de me rir até ao limite da dor na barriga, com os sketchs de humor e depois recriá-los com o meu filho;
Gosto de escrever neste Blog, mesmo quando me dizem: “o quê, tens tempo para essas merdas?”
Gosto de ter o meu perfil no Hi5 e no MySpace;
E nada, mas mesmo NADA, exorciza melhor as minhas frustrações que um sentido FÔDA-SE!!!
Por isso,
LAMENTO, Eu sou assim!
LAMENTO, mas o resto é só aquilo que faço.
LAMENTO, mas não me vou transmutar numa coisa amorfa, cinzenta e indistinta, pelo simples facto de ter 33 anos e ser Advogada.
Eu contava-lhe que me incomoda, cada vez mais, a atitude reprovadora, que certas pessoas têm para comigo, agora que tenho 33 anos e sou “sôtora”.
Confidenciava-lhe que me incomoda deveras o facto de ser um dado adquirido que, a partir de uma certa idade e atingidos que foram alguns níveis de responsabilidade ao nível profissional, pessoal e familiar, temos necessariamente de deixar de sermos NÓS.
Note-se que eu não quero voltar a ter 18 anos, nem 20, nem 25 sequer…
Nem quero vestir t-shirts curtinhas, nem fazer tatoos e piercings, nem passar o dia nas esplanadas, sem fazer nenhum.
Mas também não quero ser manietada, constrangida, despojada daquilo que sou e fui e que pautou, desde sempre a minha individualidade e o meu temperamento.
Sempre fui intempestiva, extrovertida, de gargalhada fácil, com um espírito um tanto desenfreado, (sem ser libertino!), mas era por essas e outras características que as pessoas gostavam de mim, ou não.
Nunca fiz questão de agradar a gregos e troianos.
Quem gosta, tudo bem, quem não gosta, deixa na beirinha do prato.
Não faço favores, não faço grandes fretes e tenho pouca paciência para a convivência vazia e circunstancial.
No entanto, tenho vindo a notar que certas pessoas me dizem, amiúde, coisas do género:
“Deixa-te lá de circos, já tens idade para ter juizinho”, “Comporta-te”, “pareces uma miúda”, “vais ao concerto? Isso é para putos!”, “vais onde? Bem, se algum cliente teu te vê nessas figuras…” “não digas asneiras, és uma senhora”…
E se calhar, pior ainda, são os olhares reprovadores, com um acenar negativo da cabeça, quando estamos em amena cavaqueira entre amigos.
Mas eu só digo, meus amigos:
Levo muitíssimo a sério a minha actividade profissional;
Sou cumpridora, até ao limite do razoável, de tudo o que é responsabilidade conectada com o que faço;
Trabalho 10 a 12 horas por dia a maior parte dos dias, fins-de-semana incluídos, sem contar com o tempo que perco com os 100 Km diários, que faço só para chegar ao escritório;
Fico exasperada com a desordem e falta de profissionalismo;
Quando é para trabalhar, ninguém me vê os dentes, sou de poucas falas e de sorriso difícil. Até porque os clientes foram feitos para nos pagar os serviços prestados e não para serem nossos amigalhaços.
Sou até muito decente, como cozinheira e “dona de casa”;
E sou mãe implacável, quando as circunstâncias o exigem,
Mas… principalmente:
Adoro rir-me à gargalhada;
Gosto de conversas relaxadas, informais, mas sumarentas;
Gosto de ouvir musica aos berros, enquanto conduzo:
Gosto de ouvir conversas na rádio e quando possível, entrar nelas;
Gosto de cantar desafinadamente, as músicas do MP3 do meu filho;
Gosto de me rir até ao limite da dor na barriga, com os sketchs de humor e depois recriá-los com o meu filho;
Gosto de escrever neste Blog, mesmo quando me dizem: “o quê, tens tempo para essas merdas?”
Gosto de ter o meu perfil no Hi5 e no MySpace;
E nada, mas mesmo NADA, exorciza melhor as minhas frustrações que um sentido FÔDA-SE!!!
Por isso,
LAMENTO, Eu sou assim!
LAMENTO, mas o resto é só aquilo que faço.
LAMENTO, mas não me vou transmutar numa coisa amorfa, cinzenta e indistinta, pelo simples facto de ter 33 anos e ser Advogada.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Genial, parte II
Bem, como o video do post anterior pelos vistos não funciona, embora eu admita que seja por falta de perícia minha, aqui deixo o link do mesmo:
http://videos.sapo.pt/kR4kdDpr15sBqY1S9EMj
Enjoi!
http://videos.sapo.pt/kR4kdDpr15sBqY1S9EMj
Enjoi!
terça-feira, 8 de julho de 2008
GENIAL!
"Queres fazer rimas, vai escrever provérbios para o Borda D´Água, que isso ao menos ajuda os agricultores"
"Não é uuuu, ié ié, faz faz bébé.. ri-te... foste tu que escreveste, aliás, isso nem é escrever, é ir ás legendas de um filme pornográfico e copiar"
"Escuta, és um bicho amarelo, glutão que só quer é enfardar o dia todo, é o que tu és"
"Podias rapar esse ninho de ratos que aí tens, meter um bigodinho e eras o super Mário"
"Olha, já não tens idade para usar calções, tu"
FABULOSO!
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Aqui está um passatempo, muito catita!
Descobri este site: http://www.befunky.com
Ora para quem já só quer é férias e distância das ânsias do dia a dia, é muito bom para o relax! Não tive muito tempo para explorar, deixo aqui a minha primeira experiência. A segunda será aqui deixada, talvez amanhã e será um avatar todo catita.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Dedicatória
Este post, juntamente com a música que aqui deixo, vou dedicar ao meu Gonçalo, que quando eu tinha 20 anos, decidiu nascer e fazer de mim outra pessoa.
E que aos 12 anos, reconhece as minhas tristezas e mágoas, mesmo quando, para disfarçar, rio à gargalhada.
Aqui fica o video e a letra, para que se compreenda porque é que escrevo este post.
E que aos 12 anos, reconhece as minhas tristezas e mágoas, mesmo quando, para disfarçar, rio à gargalhada.
Aqui fica o video e a letra, para que se compreenda porque é que escrevo este post.
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you
You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
segunda-feira, 2 de junho de 2008
sexta-feira, 23 de maio de 2008
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Lançar a confusão

O meu Ilustre Pai, desde a altura do meu estágio me dizia:
“Quando as coisa começam a ficar negras num julgamento, nada melhor do que lançar a confusão”
Há cerca de meio ano, finalmente, consegui pôr este ensinamento em pratica!
Então:
Dia de feira, na Vila onde exerço a minha actividade profissional.
Para muita gente é feriado municipal. Visitam as tendas de manhã cedinho e depois para onde é que eles vão, para onde?
É isso mesmo, para o Tribunal, assistir ao julgamento que “estiver a dar”, como quem assiste a um programa de televisão.
Levam para dentro da sala de audiências tudo e mais alguma coisa, cobertores acabados de comprar, sacos de ração para os pintainhos, vasos de flores, etc
E caixotes!
O Julgamento estava a ser complicado, estremas, esteios, marcos, delimitações, confrontações, enxada na cabeça do vizinho, enfim, tudo de bom.
A prova não me estava a correr bem, as testemunhas arroladas por mim, prestaram depoimentos vergonhosos e nada esclarecedores da posição que defendo.
Eis que entra a última testemunha arrolada pelo meu Ilustre colega, e começa a prestar o mais elucidativo de todos os testemunhos, com uma convicção absolutamente estonteante.
Olhei de soslaio para a Sra. Juiz e percebi perfeitamente que o depoimento estava a ser altamente valorado.
“Estou lixada, este gajo vai-me fazer perder a acção!”
A testemunha parecia um passarinho a responder ao Advogado da parte contrária.
Tudo ensaiadinho, a lição estudada na ponta da língua. Parecia um guião de um filme.
A Sr.ª Juiz dá-me a palavra, faço a devida vénia e começa a minha instância:
“Senhor fulano, então diga lá, há quanto tempo aconteceram os factos que nos trazem cá hoje?”
“Ai Sr.ª Dr.ª, há uns 7 anos.”
“Mas olhe que 7 anos é muito tempo, o Sr. lembra-se mesmo de ter visto, isto e aquilo e aqueloutro”
“Ó Sr.ª Dr.ª, então não me lembro!? Parece que foi ontem…”
E começa a debitar outra vez a cantilena que já tão bem tinha “cantado” em instâncias do meu ilustre colega.
“Ó Sr. fulano, isso o Sr. já referiu e exactamente com as mesmas palavras que me está a dizer agora.”
Eu estava a ficar verde!
“Ó Sr., fulano, isso parece uma cantilena, com todo o respeito que o seu depoimento me merece e que é muito, o Sr. parece um …”
E neste momento, ouve-se um resfolgar vindo de um caixote, na assistência.
O tumulto chama a atenção de toda a gente, e de repente, levanta-se uma senhora, com o caixote na mão, e diz corada.
“É um PAPAGAIO”
Digo eu:
“Srª Juiz, não fui eu que o disse!”
Pronto.
Estava lançada a confusão.
“Quando as coisa começam a ficar negras num julgamento, nada melhor do que lançar a confusão”
Há cerca de meio ano, finalmente, consegui pôr este ensinamento em pratica!
Então:
Dia de feira, na Vila onde exerço a minha actividade profissional.
Para muita gente é feriado municipal. Visitam as tendas de manhã cedinho e depois para onde é que eles vão, para onde?
É isso mesmo, para o Tribunal, assistir ao julgamento que “estiver a dar”, como quem assiste a um programa de televisão.
Levam para dentro da sala de audiências tudo e mais alguma coisa, cobertores acabados de comprar, sacos de ração para os pintainhos, vasos de flores, etc
E caixotes!
O Julgamento estava a ser complicado, estremas, esteios, marcos, delimitações, confrontações, enxada na cabeça do vizinho, enfim, tudo de bom.
A prova não me estava a correr bem, as testemunhas arroladas por mim, prestaram depoimentos vergonhosos e nada esclarecedores da posição que defendo.
Eis que entra a última testemunha arrolada pelo meu Ilustre colega, e começa a prestar o mais elucidativo de todos os testemunhos, com uma convicção absolutamente estonteante.
Olhei de soslaio para a Sra. Juiz e percebi perfeitamente que o depoimento estava a ser altamente valorado.
“Estou lixada, este gajo vai-me fazer perder a acção!”
A testemunha parecia um passarinho a responder ao Advogado da parte contrária.
Tudo ensaiadinho, a lição estudada na ponta da língua. Parecia um guião de um filme.
A Sr.ª Juiz dá-me a palavra, faço a devida vénia e começa a minha instância:
“Senhor fulano, então diga lá, há quanto tempo aconteceram os factos que nos trazem cá hoje?”
“Ai Sr.ª Dr.ª, há uns 7 anos.”
“Mas olhe que 7 anos é muito tempo, o Sr. lembra-se mesmo de ter visto, isto e aquilo e aqueloutro”
“Ó Sr.ª Dr.ª, então não me lembro!? Parece que foi ontem…”
E começa a debitar outra vez a cantilena que já tão bem tinha “cantado” em instâncias do meu ilustre colega.
“Ó Sr. fulano, isso o Sr. já referiu e exactamente com as mesmas palavras que me está a dizer agora.”
Eu estava a ficar verde!
“Ó Sr., fulano, isso parece uma cantilena, com todo o respeito que o seu depoimento me merece e que é muito, o Sr. parece um …”
E neste momento, ouve-se um resfolgar vindo de um caixote, na assistência.
O tumulto chama a atenção de toda a gente, e de repente, levanta-se uma senhora, com o caixote na mão, e diz corada.
“É um PAPAGAIO”
Digo eu:
“Srª Juiz, não fui eu que o disse!”
Pronto.
Estava lançada a confusão.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Os fatinhos e as pastinhas

Hoje estive presente numa coisa chata que se chama, “assembleia de credores”.
E quantos mais credores houver, mais Advogados se juntam.
Hoje, éramos aos verdadeiros magotes.
Cerca de 40 Advogados e Advogadas (mais aqueles do que estas, contrariando as estatísticas), tudo junto, numa sala de audiências.
Ainda esperamos uns bons 45 minutos, para que fosse aberta a assembleia e durante este tempo, mantive-me relativamente à parte… A observar, que é das coisas que mais gosto de fazer.
Só passados uns bons minutos me dei conta de uma coisa extraordinária:
Só EU não tinha uma pasta toda executiva, gorda, cheia de livros e códigos,
E só Eu não tinha um fatinho…
Ora, no que aos senhores Advogados concerne, eu entendo e subscrevo que devem apresentar-se devidamente “fardados” com um fato em condições, sapatos impecáveis e uma gravata jeitosa. E nada a opor quanto à pasta.
Agora quanto ás senhoras… eh pá, que monotonia brutal! Porquê, senhoras?
O panorama era mais ou menos este:
As senhoras Advogadas todas com os seus fatinhos da Sacoor, ou então, o que é pior, fatinhos da Zara, daqueles que brilham… (que só de olhar já me arrepiam) e sapatinhos bicudos. Ah e camisas de riscas… que já ninguém aguenta.
Os fatos eram quase todos da mesma cor e atrevo-me a dizer que alguns seriam até iguais!!
Tudo de cinzento, castanho ou creme, estes últimos são os meus favoritos, porque assim todas de creme vestidas, parecem um werthers original.
Para além disso, tinham todas umas pastinhas muito “Sr.ª Dr.ª”, invariavelmente castanhas, ou então, o que é pior, da marca “Cavalinho”, a condizer com a carteira. Jesus!
Pois eu, não gosto de fatos. São monótonos e enfadonhos.
Também não gosto de pastas, só atrapalham, a menos que tenham rodinhas.
No entanto, para a ala feminina desta profissão, parece que a única forma de afirmar o lado “doutor”, é vestir um fatinho e passear uma pastinha.
Não dá para mim… Gosto de vestidos, vestidos, vestidos, gosto de sapatos coloridos, altos, baixos, de salto fino, de salto grosso, de túnicas, de blazers com calças de ganga, de vestidos por cima das calças, de carteiras grandes e pastas com rodinhas, camisas brancas aos montes, enfim.
Enquanto esperávamos, comentei com um colega meu, esta minha posição quanto aos fatinhos e ás pastinhas
Diz-me ele: “É pá, veste lá uma calcinha de vinco e um blazer igual, ficas mais compostinha…
“Hã?!?!?!?! Eu já te digo o compostinha, queres ver?”
Chamaram-nos para entrar.
Sentaram-se cerca de 40 Advogados na plateia da sala de audiências, a Sr.ª Juiz e a Sr.ª Procuradora nos seus lugares e o Sr. Administrador da Insolvência na bancada que costuma ser para os Advogados.
Estava tudo pronto, a Juiz dá por aberta a Assembleia e pergunta se alguém tem alguma coisa a requerer.
Levanto-me EU.
“Srª Juiz, só ontem tive conhecimento do Relatório da Insolvência, ainda que o mesmo tenha sido apresentado pelo Sr. Administrador há 8 dias atrás, uma vez que o artigo “tal e tal” do código “tal e tal”, concede aos credores o prazo de 10 dias para se pronunciar sobre o mesmo e sendo que esse mesmo prazo ainda está a decorrer, Requeiro que seja suspensa a presente assembleia.”
Burburinho… Burburinho…
O Sr. Administrador opõe-se, mas a Juiz dá-me razão e defere o meu Requerimento.
Pronto. Missão cumprida, meus senhores passem muito bem.
Sai tudo da sala de audiências, num burburinho medonho, a maior parte deles desconte com o desfecho, entre eles o meu Distinto colega do “compostinha”.
E vamos todos embora.
Eles com os fatinhos e as pastinhas,
E eu, encantada da vida, com a missão cumprida, com os processos debaixo do braço e hoje, de vestido preto e sapatos verde alface…
terça-feira, 6 de maio de 2008
Tic Tac Tic Tac Tic Tac
Até fico com os nervos em frangalhos, quando penso que esta sujeita tem quse 50 anos...
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Ele, a rapariga e os porcos!
Hoje, passei toda a manhã no Tribunal, desde as 09h.30m até ás 13h.00m, a desdobrar-me em julgamentos, sentenças e uma tentativa de conciliação. Tudo de enfiada.
Bom, mas isto para dizer o quê?
Com tanta coisa e tanta gente, lá surgiu mais uma pérola, resultado da prática da Advocacia, no Portugal profundo...
Ora bem , estava o julgamento já a acabar. Tudo muito certo, as coisas tinham-me corrido bem, estava só desvairada de fome e sede e a morrer por um cigarro.
A Srª Juiz, para dar por terminada a sessão, começa a inquirir o Arguido acerca das condições sócio-económicas daquele.
Sim senhor, e tal, que é agricultor, que trabalha ao dia, que é ...
...e agora começa a festa!:
É "esborciado" e "bibe junto com a cachopa", ao que lhe pergunta a Juiz, "que cachopa, a sua filha?"
"Não, a rapariga"
"Ó senhor, mas qual rapariga?!?", a Srª Juiz já desnorteada.
"A moça que bibe comigo"
"Ah, é sua companheira!", exclama a Srª Juiz e continua...
E eu mesmo a ver no que isto ia dar... só pensava... "Isto estava tudo a correr tão bem... "
Seguinte:
"Quanto aufere mensalmente"
" Ganho ao dia, tiro "práí", uns 70, 80 contos por mês"
Continua a Srª Juiz"Para além de si e da sua companheira, vive consigo mais alguém?"
Responde o fulano: "bibe a minha cachopa mais belha e a catraia da rapariga"
A expressão da Srª Juiz era um enorme ponto de interrogação. E eu a pensar: "muuuuiiiito booommm"
A Juiz fez um esforço e lá compreendeu que a "cahopa mais belha" é a filha mais velha e a "catraia da rapariga" é a filha da companheira...
Com um ar já algo desgastado a Juiz diz: "Olhe, para terminar, o senhor tem alguma prestação fixa por mês?"
"sim, pago a Segurança Social, o seguro e 300 contos de três em três meses, dum tractor que comprei."
A juiz faz uma careta e já furiosa diz-lhe "Olhe lá, se a sua companheira é doméstica, se o senhor é o único a ganhar lá em casa e tem ao seu encargo a sua filha e a filha da sua companheira, 80 ou 90 contos, não chega!"
Ele muito prontamente: "Prontos, mas a rapariga também dá umas horas e ainda temos os porcos, que ainda rendem uns bons 10 contos"
E eu a pensar "Os porcos?!?"
A Juiz já desesperada: "Ó senhor, então diga lá, em média, o seu agregado familiar, aufere que quantia mensal"
Resposta: "Ora bem, deixe lá ber, deve rondar os 150 contos, entre eu, a rapariga e os porcos".
Com tanta coisa e tanta gente, lá surgiu mais uma pérola, resultado da prática da Advocacia, no Portugal profundo...
Ora bem , estava o julgamento já a acabar. Tudo muito certo, as coisas tinham-me corrido bem, estava só desvairada de fome e sede e a morrer por um cigarro.
A Srª Juiz, para dar por terminada a sessão, começa a inquirir o Arguido acerca das condições sócio-económicas daquele.
Sim senhor, e tal, que é agricultor, que trabalha ao dia, que é ...
...e agora começa a festa!:
É "esborciado" e "bibe junto com a cachopa", ao que lhe pergunta a Juiz, "que cachopa, a sua filha?"
"Não, a rapariga"
"Ó senhor, mas qual rapariga?!?", a Srª Juiz já desnorteada.
"A moça que bibe comigo"
"Ah, é sua companheira!", exclama a Srª Juiz e continua...
E eu mesmo a ver no que isto ia dar... só pensava... "Isto estava tudo a correr tão bem... "
Seguinte:
"Quanto aufere mensalmente"
" Ganho ao dia, tiro "práí", uns 70, 80 contos por mês"
Continua a Srª Juiz"Para além de si e da sua companheira, vive consigo mais alguém?"
Responde o fulano: "bibe a minha cachopa mais belha e a catraia da rapariga"
A expressão da Srª Juiz era um enorme ponto de interrogação. E eu a pensar: "muuuuiiiito booommm"
A Juiz fez um esforço e lá compreendeu que a "cahopa mais belha" é a filha mais velha e a "catraia da rapariga" é a filha da companheira...
Com um ar já algo desgastado a Juiz diz: "Olhe, para terminar, o senhor tem alguma prestação fixa por mês?"
"sim, pago a Segurança Social, o seguro e 300 contos de três em três meses, dum tractor que comprei."
A juiz faz uma careta e já furiosa diz-lhe "Olhe lá, se a sua companheira é doméstica, se o senhor é o único a ganhar lá em casa e tem ao seu encargo a sua filha e a filha da sua companheira, 80 ou 90 contos, não chega!"
Ele muito prontamente: "Prontos, mas a rapariga também dá umas horas e ainda temos os porcos, que ainda rendem uns bons 10 contos"
E eu a pensar "Os porcos?!?"
A Juiz já desesperada: "Ó senhor, então diga lá, em média, o seu agregado familiar, aufere que quantia mensal"
Resposta: "Ora bem, deixe lá ber, deve rondar os 150 contos, entre eu, a rapariga e os porcos".
sábado, 12 de abril de 2008
Eu, as conversas na rádio e a “Prova Oral”
Gosto de programas de rádio com conversas ou de conversas.
Gosto de noticiários e de “fóruns” de discussão. Gosto mesmo de ouvir pessoas a falar…
Ouço invariavelmente Antena3 e as pessoas que lá conversam, só mudo à hora certa para ouvir as notícias, ou o fórum da TSF, quando viajo a essa hora.
Como há anos que conduzo mais de 100 Kms todos os dias e sozinha, quem me faz companhia são os senhores e senhoras que conversam na rádio.
E, ouvindo todos os dias os mesmos sujeitos, a falar na primeira pessoa, sobre gostos e desgostos, curiosidades, preferências e coisas do quotidiano, surgem necessariamente laços e empatias. Unilaterais é certo, mas que resultam para mim, que os ouço, numa sincera familiaridade.
À custa das conversas que vou ouvindo, interiorizei factos e particularidades da vida dessas pessoas. E porquê, pergunto-me tanta vez?!?! Quando leio uma qualquer entrevista, numa qualquer revista “del corazon”, não retenho nem meia linha, leio e acabou, está lido… passa à frente e siga a fila!
Porque é que com as pessoas que conversam na rádio é diferente?
Bom, os relatos são feitos pelos próprios, ao vivo, em conversas dispersas… se calhar por isso, retenho-os como se tivessem sido relatados a mim, numa conversa, num jantar de amigos… como se fossem meus amigos.
É tudo muito informal, sincero, espontâneo, não é resultado duma entrevista, com frases feitas, lugares comuns e clichês absurdos.
Parece-me tudo tão "real life"… sem existir ao mesmo tempo, qualquer devassa da vida privada. É porreiro, pá…
O que me levou a escrever este post foi precisamente um programa de conversas, na Antena3, onde também nós, podemos conversar – Again… É porreiro, pá.
E porque é que, é porreiro, pá??
Bom, principalmente durante as viagens de regresso a casa, aproveito para fazer todo e qualquer tipo de telefonema: Para as minhas amigas, para a minha mãe, para a minha empregada, para o Sr. que me está a fazer uns móveis, para o cabeleireiro a marcar hora, para o dentista do meu filho, para os meus colegas de profissão, para os meus clientes… só não ligo para a minha cadela porque ela não fala ao telefone… ainda.
O problema é, que esgoto rapidamente a minha “quota” de telefonemas…
E depois, ligo a quem, caraças?
Bom, ligo para a “Prova Oral”… é como já disse em cima, depois de tantos anos a ouvir as mesmas pessoas a conversar, eles também já são amigos…
Já liguei e entrei em directo algumas vezes, umas intervenções correram melhor que outras, mas afinal… são assim as conversas… umas melhores, outras piores.
Só não entendo o espanto de algumas pessoas: “Foste tu que ligaste ontem para a “Prova Oral”?!?!?
Fui, porquê?!?!? Há crise?!?!?
E já ouvi todo o tipo de comentários:
Os delicados como: “foi giro”, ou “estiveste bem”
Ou os incrédulos (e são estes que não entendo) como: “tens uma lata”, “foste mesmo tu?”,
A última que ouvi foi esta: “Hei pá, que tristeza, ligaste para quê?”
Não entendem, eu passo a explicar:
O problema é, que esgoto rapidamente a minha “quota” de telefonemas…
E depois, ligo a quem, caraças?
Bom, ligo para a “Prova Oral”… é como já disse em cima, depois de tantos anos a ouvir as mesmas pessoas a conversar, eles também já são amigos…
Já liguei e entrei em directo algumas vezes, umas intervenções correram melhor que outras, mas afinal… são assim as conversas… umas melhores, outras piores.
Só não entendo o espanto de algumas pessoas: “Foste tu que ligaste ontem para a “Prova Oral”?!?!?
Fui, porquê?!?!? Há crise?!?!?
E já ouvi todo o tipo de comentários:
Os delicados como: “foi giro”, ou “estiveste bem”
Ou os incrédulos (e são estes que não entendo) como: “tens uma lata”, “foste mesmo tu?”,
A última que ouvi foi esta: “Hei pá, que tristeza, ligaste para quê?”
Não entendem, eu passo a explicar:
Eu ligo para conversar, qual é a grande interrogação acerca disto? Não ligo para ser ouvida, ligo para conversar, Ponto Final.
Paragrafo: Quando ligo identifico-me só com o nome próprio e a idade, não digo sobrenome nem profissão. Não é por ter vergonha do meu sobrenome, ou da minha profissão, nem pensar, é porque se os disser, vai dar azo a mais comentários palermas.
“O que é que anda (ou não anda) uma Advogada a fazer, para ter tempo e pachorra para ligar para um programa de rádio, será que não tem trabalho para fazer ou coisas sérias para resolver?”
Eu respondo: TENHO PÁ! E MUITO!
Paragrafo: Quando ligo identifico-me só com o nome próprio e a idade, não digo sobrenome nem profissão. Não é por ter vergonha do meu sobrenome, ou da minha profissão, nem pensar, é porque se os disser, vai dar azo a mais comentários palermas.
“O que é que anda (ou não anda) uma Advogada a fazer, para ter tempo e pachorra para ligar para um programa de rádio, será que não tem trabalho para fazer ou coisas sérias para resolver?”
Eu respondo: TENHO PÁ! E MUITO!
Mas trabalho deslocada do sitio onde moro, faço mais de uma centena de Kms por dia, e em virtude do tipo de situações com que tenho que lidar todo o Santo dia, no final só me apetece desligar, deixar de pensar, de raciocinar, de alegar, de litigar… e enquanto conduzo...
...Conversar!
...Conversar!
terça-feira, 1 de abril de 2008
Acordo Ortográfico - Parte II
Cá está mais uma pérola da ortografia!
Passo a explicar:
Pedi a um cliente do meu escritório, para me trazer o nome, morada e profissão, das pessoas que ele queria arrolar como testemunhas, num processo que está em Tribunal.
Este fabuloso manuscrito que acima se mostra, foi o papel que o senhor deixou ao meu funcionário!
Achei por bem disfarçar algumas informações, mas Valha-me Nossa Senhora!
A pessoa que escreveu isto, tem pelo menos o 9º ano de escolaridade e cerca de 40 anos!
Já conheciam a profissão "Dono do café Cantinho"?!?!?!?!?!?
E o "polissia" que tem de sobrenome "Preira Gonssalves", hã?!? Que por sua vez mora na "Santofemia" (leia-se Santa Eufémia)!
E o outro senhor "Preira" (ao menos é coerente), que tem como profissão "Cambara de Castelo de Paiva"
É o que temos, senhores!
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