segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Considerações

Pois que hoje acaba-me o prazo para uma oposição a uma execução e penhora, com impugnação de assinaturas.
Acaba-me o prazo para interpor Recurso de uma sentença em processo penal.
E acaba-me o prazo para uma Resposta a uma acção cível de diminuta importância.
Pois que está tudo começado e nada está acabado.
E o que eu estou a fazer?
Estou a escrever posts no Blog,
Estou a chegar os brinquedos, que a minha filha de quase 5 meses atira repetidamente para o chão (já sem me preocupar sequer em sacudi-los ou desinfectá-los, já só lhos dou e pronto)
Estou a ouvir o Canal Panda e a fazer horas para lhe dar o Cerlac.

Entretanto vou rezando a todos os anjinhos natalícios e ao menino Jesus que faça a miúda dormir, para eu me poder concentrar, acabar tudo quanto me falta, riscar essas tarefas do “to do” e respirar de alivio, sem ser necessário andar a minutar peças em contra-relógio, para entrarem no Citius até à meia noite.
Até porque logo à noite dá os Ídolos na têbê e não me apetece estar agarrada ás teclas.

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

A posta vai ser longa. Eu acho que é de ler, mas vocês é que sabem.


Na última assembleia de comarca, fiz a seguinte intervenção:

"Com a implementação rigorosa das novas regras das circunscrições, o que se espera que aconteça no 2º ou 3º trimestre do próximo ano, o Tribunal da nossa Comarca deverá ficar com competência exclusiva. A competência exclusiva atribuída, ao que tudo indica é a executiva.
Em suma, a pratica da advocacia, como a conhecemos e praticamos, até hoje, deixará de existir.
Não querendo entrar em detalhes exaustivos, basta que façamos um exercício mental curto e com um exemplo de pouca significância, como o que vai custar aos clientes fazer seguir um processo crime, de um crime particular, para perceber o impacto nas questões verdadeiramente complicadas, já para não dizer, rentáveis, que serão de sobremaneira irremediavelmente afectadas."

Agora pausa. Respirar.

Porque isto foi o que eu disse e isto porque, ao contrario do que muitos podem pensar, mesmo sendo uma mistura entre camionista e estivador, sou uma senhora deveras profissional e não me expresso só através de palavrões, alarvidades e frases propositadamente mal construídas. Mas na verdade, no meu íntimozinho, o que lhes queria dizer era:

Coleguinhas do meu coração empedernido e desprovido de emoções, aqueles processos fajutos de injurias e merdas do género que fazíamos todos os dias, de olhinhos fechados e à ceguinho seja eu e que tão bom dinheirinhos nos traziam, porque davam pouco trabalho, nenhuma despesa e parece que não, mas no final do mês davam para pagar muita conta lá do escritório, esses processos, esqueçam, ok? Esqueçam, porque basta vir o primeiro e ver a confusão que vai ser mais o dinheirão que vai ter que pagar, que não vem mais nenhum.

Então vejam, vem o Armindo ali de trás das couves, ao vosso escritório e diz que quer seguir com queixa-crime contra o Berto que lhe gritou: “Vai levar no cú ó paneleiro”.
E vocês seguem com o processo.
O Armindo, que viveu sempre do trabalho, não tem poupanças, mas que porque tem paga e registada no seu nome, a casa em que mora e que construiu ele mesmo, com as suas mãos, durante 20 anos, a assentar tijolos ao fim de semana, não tem direito ao Apoio Judiciário, por isso, incha logo com 204,00 euros, para se constituir Assistente.
Depois temos que dizer ao Armindo que o Tribunal agora já não funciona aqui, fica a 50 km.
E também dizemos ao Armindo, que uma vez que o processo não corre aqui, vamos ter que lhe cobrar mais uns euritos, por causa das deslocações e que ele próprio vai ter que gastar ainda umas massas valentes, sempre que tiver que se deslocar ao Tribunal.
Depois a alturas tantas pedimos-lhe as testemunhas.
Vem o Armindo a enrolar o chapéu nas mãos muito nervoso a dizer que ai Srª Drª, ninguém quer vir servir de testemunha porque não têm transporte para tão longe, se fosse aqui tinha umas vinte, mas como é tão longe não sei se consigo levar alguém.
Dizemos ao Armindo que tem de andar da perna, senão bem que come pela medida grande.
O Armindo lá consegue convencer três pessoinhas, que no dia do julgamento vão com ele na carrinha de caixa aberta e como são um bando de aproveitadores, ainda mamam o almoço à custa do Armindo.
Ficcionemos agora, porque só mesmo no plano da ficção é que vai acontecer, que o julgamento do Armindo é feito na primeira marcação.
No dia, as testemunhas do Armindo, que mais pareciam possuídas pelo demónio, engasgam-se, atrapalham-se, metem os pés pelas mãos e não dizem nada de jeito.
Sentença: O Arguido beneficia do in dúbio pró réu e é absolvido.

O Armindo incha com as custas.
O Armindo recebe a nossa conta de honorários.

Quando vier pagar o Armindo vai dizer, ai Srª Drª, se eu soubesse que isto me ia custar os olhos da cara e os pêlos do cú, mais valia mesmo era ter ido levar nele.

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

"If death comes for me tonight, boy, I want you to know that I loved you."

Andou a fazer arrumações no computador.
Disse-me que encontrou um mp3 que lhe enviei quase há dez anos… quando ainda não éramos sequer namorados.

Fui ouvir.
Lágrimas nos olhos.
Lembrei-me que foi nessa altura que esse bandido me prendeu o coração, com carácter perpétuo.

“If this is the kind of love that the old folks used to warn me about,
Man, I'm in trouble, I'm in real big trouble... “



This one goes out to the one I love…

Fica aqui, uma das “minhas” musicas.
Dedico à Luisinha, que é lovely e made from love.
(com uma nota de rodapé: que tenhas metade, só metade, do coração e bondade do teu irmão…)
(outra nota de rodapé: vais ter com toda a certeza, porque isso vem do lado de quem vos pariu, meus queridos filhos.)


terça-feira, 24 de Novembro de 2009

5º direito frente

Pois desde Setembro que os meus vizinhos de cima são três gajas. Estudantes.

É a puta da loucura! Ele é forróbódó do Angolano, ele é gajos a gritar goooooolooooo, lá para as três da manhã. (isto eu juro que não entendo, a menos que sejam irmãos! três gajas, sozinhas, num apartamento e os gajos estão a jogar playstation? Paneleiros, só pode)
Vão fumar para a varanda e de loucos que são, (porque isto de ser novo e embebedar-se em casa com vinho de pacote, para não gastar euros na disco, dá nestas coisas) dá-lhes qualquer coisa de noite, que os faz deitar as pontas dos cigarros, acesas, para o parque de estacionamento do prédio. Selvagens.
E eu a vê-las cair! Ainda pensei que fosse uma chuva de estrelas cadentes, ca lindo! Mas não, eram só os animais do 5º direito.

Ontem depois da uma da manhã, ainda algum atrasado mental estava a martelar no andar de cima.
Já não era a primeira vez e já lá tínha ido o meu marido chamar a atenção, há uns tempos atrás.
Tinha atendido um fulano, que dizia ser pai de uma delas e que vinha de longe trazer a miuda e aproveitava para montar os móveis.

Ontem, outra vez a mesma merda, desta vez fui lá eu, porque o meu marido já se espumava todo e quase tive que o trancar na casa de banho, como se faz aos cães raivosos.
Atendeu uma imberbe com cara de noijo.
Expliquei educadamente que era a vizinha de baixo, que já tínhamos pedido para não fazerem obras, furos, bricolage, montagens, o que fosse, àquelas horas, até porque é das mais básicas regras de convivência, já para não falar que está sujeito a coimas e contra-ordenações, mas isso já era outra historia.

Respondeu-me de nariz para cima: “ não estamos a fazer assim tanto barulho”
“pois, mas nem muito nem pouco, não pode fazer nenhum”
“estamos só a montar uma secretaria”
“sim, mas está a fazê-lo precisamente por cima do quarto onde dorme a minha filha de 4 meses e eu estou a pedir-lhe para parar”
E diz a cabrita:
“eu de vez em quando estou em casa de tarde a estudar e ouço a miúda a chorar e nunca fui lá abaixo queixar-me pois não?”

Ó CA-RA-LHO!

“Pois, mas se ALGUM DIA, a menina se atrever a ir tocar à minha porta para mandar calar a minha filha, aí sim, VAMOS TER PROBLEMAS! (As maiúsculas são para os berros que lhe dei).

“Vou chamar o meu pai. Ó paaaai!”

Vem um conas qualquer e diz: “Quié?” com cara de mau.

E eu calmamente: “Nada, a menina chamou o pai, eu reservo-me o direito de chamar o meu marido.”

Escusado será dizer quem ganhou, certo?

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

E agora, para desopilar…

Tenho a dizer que a minha filha que nasceu com dois quilos e meio e 45 cm, fez no sábado 4 meses, pesa 6.690, mede 62 cm e é a cara chapada da mãe!!!!!!!!!!!!!!!!

E agora, xauzinho, que o senhor meu Pai está a chamar-me.


Ás vezes lembro-me, que nem sempre foram rosas…

Quando me perguntam, “e quantos anos tem o seu filho?”.
Respondo sempre com o ar mais cool e pretensioso, “tem 14.”

Agora, com 34 anos, esta resposta, não tem qualquer impacto negativo. E invariavelmente dá lugar a elogios do tipo, ai ninguém diria, tem um ar tão jovem, e batatinhas e mais não sei o quê.

Mas, por exemplo, aos 22 informar que se tem um filho com dois, era as mais das vezes confrangedor.
Não por mim, que sempre tive a minha situação muito bem resolvida dentro de moi même.
Era pelos outros, pelas expressões de espanto/desapontamento/escárnio/o caralho mais velho, que nem sequer conseguiam disfarçar.

(Já para não falar nos amigos, que como queriam era putas e vinho verde, cedo se puseram a andar…)
(Honrosa excepção feita à minha amiga Joana, que durante uns tempos, foi assim como que um pai, para o meu filho…)

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Teste de Educação Tecnologica, ou lá o que é.


Deixo a ultima página do teste do meu filho.
E nem faço mais comentários...



(dá para ver melhor se clicarem na imagem, mas isso já todos devem saber, né?)

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Gossip bitch

Quando me casei tinha posto aparelho nos dentes há um ano, para corrigir uma cena com um nome estúpido, “bruxismo”.
Ora quem já usou aparelho sabe que comer é uma tarefa muito complicada, principalmente, durante os 15 dias que se seguem à consulta, que é mensal, para mal dos nossos pecados.
Sendo assim, estava magra, muito magra, nunca magra demais como é evidente, mas mesmo magra. (Saudades)
O que é que acontece? Acontece que, há muita gente sem sarna para se coçar e a minha terrinha natal é pequena em tudo em geral e mentalidades em especial.
Daí que, nos quinze dias que antecederam o meu casamento correu um boato fantástico que consistia no seguinte: “a fulana está magra como uma cadela, já viram? Está anoréctica porque o noivo desmarcou o casamento. Com tudo pago, o pai gastou uma fortuna, e não há casamento para ninguém. Diz que está com uma camada de nervos desgraçada e não come há mais de um mês. Diz até que vai ser internada, coitada…”

Bom, eu lá casei, tirei o aparelho, fui viver prá cidade, continuei a trabalhar na santa terrinha, voltei a engordar um bocadito, enfim, vidas!

Sucede que passado cinco anos engravidei.
E quem me lê sabe que no final da gravidez fui obrigada a encostar ás boxes, cerca de mês e meio antes de nascer a minha criança.
E que engordei xxx quilos (não volto a dizer quanto). E que fiquei um pequeno monstro e que me incharam os pés e etc e etc e etc…

O que é que acontece? Acontece que, o mesmo pessoal (que pelos vistos continua a coçar o rabo nos cafés, sem fazer a ponta dum corno pela puta da vida) voltou a por em pratica a imaginação desmedida.
“Ui, essa já cá não aparece há mais de um mês! Diz que está com obesidade mórbida. Está o triplo e nem consegue conduzir”.

Entretanto pari.
E, mais uma vez, quem me lê sabe que muito me entristecia as formas roliças que adquiri e que vai daí, decidi que três meses gorda, sem estar grávida, já chegava e que até Dezembro tinha que caber num 36, 38, vá!


Ora o regime está a resultar e eu a emagrecer.
Acresce a isto o facto de neste momento o meu marido ter posto à venda o carro, porque em Dezembro chega um novo.

O que é que acontece? O que é que o carro tem a ver com os quilos a menos?
Acontece que, pelos vistos, fiz uma lipoaspiração em três partes distintas do corpo e uma operação ás mamas e por via disso o meu marido gastou uma fortuna tão grande que vai ter que vender o Mercedes.

Olhem sabem o que vos digo?
Fudei-vos, tá?

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Vocês não estão bem a ver!

Já visto calças da fase pré prenha!!!

Bom, na verdade, eram as calças da pior fase de magra.
… never mind, o que verdadeiramente interessa, é que passam a ser as calças da melhor fase de gorda!

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Na passada semana, num debate instrutório, fiquei a saber que o pai do Senhor Juiz sofre de retenção de líquidos, que no dia anterior tinha o Senhor Juiz ido para as urgências do hospital, de onde o pai tinha saído algaliado e que no dia seguinte não podia continuar a diligência, porque estava à espera da confirmação duma consulta com o urologista, para que o pai fosse por uma algalia mais pequena e com uma torneirinha… E ninguém lhe perguntou nada!



Desejos

O desejo da minha mãe:



Os meus!!!

















Imagens daqui, claro!

Upedaite do regimen

Não me posso pesar até Dezembro...

Constatação

O meu Blog está mesmo feio.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Estou derreadinha

Omitindo a primeira parte do meu dia, que é sempre a mesma coisa que já descrevi aqui com alguma minúcia e que me abstenho de contar outra vez, para vosso e meu bem espiritual, começo esta saga a partir da altura em que deixei a miúda em casa da minha mãe, ás 10 da manhã.
Saí de casa da minha mãe e segui para o escritório.
Cheguei ao pé do escritório e estacionei.
Na mala do carro vem a pasta do computador, a pasta com kilos de processos que todos os dias carrego que nem uma mula para trás e para a frente e o carrinho da bebé.
Atarefadíssima e cheia de convicção, tiro o carrinho da bebé e abro-o.
Fico uns segundos, meia parva, a olhar pró carrinho e tomo consciência que não é aquilo que quero.
Fecho aquela merda, e enfio-o de novo na mala do carro.
Tiro a mala do computador e a pasta.
Pouso no chão para poder fechar a mala do carro.
Fecho a mala do carro.
Aparece a vizinha do estabelecimento comercial da frente, que mete conversa comigo por causa da bebé.
Fico toda vaidosa e mostro-lhe à força umas vinte fotografias da miúda com o irmão no telemóvel.
Despeço-me da vizinha.
Abro a mala do carro.
Enfio a mala do computador e a pasta dentro da mala do carro.
Fecho a mala do carro.
Entro dentro do carro e só paro em frente a casa da minha mãe.
Entro em casa da minha mãe que me pergunta admirada:
“Mas tu não ias para o escritório?”

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

E dia 23 de Outubro...

...Começa uma nova era.
O calvário em direcção à forma perdia.

Depois vou fazendo aqui os upedaites.
Para já, ainda estou nos 69 (!?!) e 38 biqueira larga.

(Humpf)

Não me resigno a esta forma roliça que agora ostento.
Para mim, todas as gajas magras (amigas abrangidas) são agora, uns grandes coirões.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Toda desgraçadinha, eu.

Dormi cerca de duas horas. E não foi de seguida.
A miúda não sossega.
Pior é que não berra, só ri, o que torna difícil não gostar dela.
Fica ali a olhar para mim, só a ser linda.

(A propósito, digam-me por favor, a média de idade em que as criancinhas começam a dormir como deve ser, é que francamente do meu filho já nem me lembro, aliás, tenho a sensação que ele sempre dormiu a noite toda, o grande querido…)

Depois saí a toda a brida da cidade, porque supostamente tinha julgamento ás 10h, e não queremos incomodar a senhora com os atrasos.
Na portagem, dizem-me que a banda magnética do multibanco está desmagnetizada.
Não passa. Não dá.
Foi um bonito. Virei o carro à procura de trocos. Consegui € 1,65. A portagem é € 1.70.
Já possuída, despejei a carteira e no fundo lá estava, ao pé de dois ganchos, um elástico e uma pulseira, uma moeda de cinco cêntimos.
God bless!

Ainda assim, cheguei a horas. Mas o julgamento foi adiado. Lovely!
De modo que fui arranjar o cabelo. Mas sem tusto.
Perdido por cem, perdido por mil, ainda depilei o buço (que já estava muito perto de ser bigode) e fiz as unhas.

Mas ficaram vocês com bom aspecto? Pois, nem eu!
É que dei logo cabo de duas unhas e passei o resto do dia com a cara toda vermelha na zona depilada… uma tristeza, portanto.

:-)

Vou eu de regresso à cidade, no final do dia de trabalho e ligam-me:

“Ó rapariga, levas uma fila de carros medonha atrás de ti, que parece que vais de marcha a trás”

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Foi há 14 anos…

… mas parece que foi ontem que nasceu o meu filho Gonçalo.
Depois de 12 horas em trabalho de parto e um cozido à portuguesa na noite anterior, nasceu O Menino.
Estava um calor abrasador, como hoje.
Lembro-me da minha amiga Joana me ir ver à maternidade, de legins azuis e t-shirt de manga curta branca, com a bandeira do Reino Unido e dizer que lá fora estava uma brasa como nunca se viu.
Eu, que quase morri no parto, ás portas do século XXI, fiquei anémica e mais não sei o quê, por isso, calor não tinha!
O meu filho podia ser feio, podia.
Podia ser um menino normal, podia.
Podia ser um filho desprendido, podia.
Podia ser mais um ser humano, podia…
Mas não é!
É lindo de morrer, até em plena puberdade!
É um menino com uma sensibilidade fora do normal.
É um filho excepcional, que lê a minha alma, como mais ninguém.
É um menino que pede aos pais, que sabe serem de Direita, que votem no candidato do PS à junta de freguesia da nossa residência, porque o senhor é ceguinho e com certeza está a concorrer para fazer rampas e acessibilidades para os invisuais, que não existem ou são insuficientes, rampas essas que também eu poderei usufruir, quando ando a passear a irmã no carrinho.
É um menino que gasta todo o dinheiro que tinha poupado, cerca de 150,00 euros, em prendas para todos, no Natal.
É um menino, que em Janeiro passado, no dia do meu aniversário, me acordou com um ramo de flores, que foi escolher e comprar sozinho. E apesar do filho da puta do florista, que só pode ser paneleiro, lhe ter levado quase 40,00 euros, afirma a pés juntos, que nunca chorou esse dinheiro.
É um menino que não tem vergonha de abraçar, beijar e mimar a mãe e a avó, mesmo que seja em frente à porta do colégio, com os matulões dos amigos todos a ver.
Crescemos os dois.
Ele e eu, os dois ao mesmo tempo, eu com 20 anos, ele acabadinho de nascer, a partir desse dia, foi só crescer, par a par!
Fez a faculdade comigo e sofria com as minhas angústias a pontos de, mal conseguiu falar, dizer que odiava o "cruso" da mãe!
Foi o menino das alianças no meu casamento e fez a declaração mais maravilhosa deste mundo, quando o entrevistaram em plena festa. Não há ninguém, mesmo ninguém que não se comova com o menino sem dentes da frente a falar directamente para a câmara, como se estivesse a olhar-nos para dentro da alma.
Estava previsto ele ler na cerimonia religiosa, mas ficou tão nervoso, tão comovido com o casamento da mãe, que pediu à minha amiga Ana, para ler no lugar dele, “não consigo, não consigo, estou demasiado nervoso”.
O meu filho Gonçalo é um menino muito bom.
O melhor menino, apesar de já ser um adolescente de 14 anos.

Parabéns, Gonçalo.
Love,
Mãe.